Leitura básica: ARAUJO, U. F. O déficit cognitivo e a realidade brasileira. IN: AQUINO, J. G. Diferenças e preconceito na escola: Alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1998. p. 31-47.
A leitura do texto "O déficit cognitivo e a realidade brasileira" de Araújo (1998), nos remete necessariamente à teoria do psicólogo e epistemólogo suíço Jean Piaget (1896/1980), autor que, provavelmente, realizou neste século os estudos mais aprofundados sobre o desenvolvimento cognitivo infantil.
Os princípios centrais sobre os quais assentam-se sua teoria estão baseados em 4 eixos: o construtivismo, o estruturalismo e o princípio de gênese.
INTERACINISMO: O conhecimento é resultado das trocas realizadas pelo sujeito com o meio onde está inserido, ou com os objetos de conhecimento. Quando Piaget se referia à essa interação, não estava falando somente de objetos concretos (como entenderam alguns de seus leitores), mas a tudo aquilo que pode vir a ser conhecido pelo homem.
CONSTRUTIVISMO: Com este princípio, Piaget recusa tanto as teses aprioristas de que as estruturas de conhecimento estão presentes na bagagem hereditária do sujeito, quanto as teses empiristas de um ser que só conhece o mundo a partir dos sentidos, pela pressão do meio físico e social sobre ele. Em sua concepção de um construtivismo radical o conhecimento não está nem no sujeito nem no objeto, não está pré-determinado e nem é simples internalização, mas é resultante da ação do sujeito sobre os objetos de conhecimento. Portanto, ele é construído nas ações sobre o mundo objetivo e subjetivo, sendo esta construção constitutiva do próprio sujeito.
ESTRUTURALISMO: Mas o que se constrói não são somente os conteúdos da interação, é a própria capacidade de conhecer, de organizar, de reorganizar e estruturar as experiências vividas, que vêm a ser as estruturas mentais. Essas estruturas que vão se tornando cada vez mais complexas, de acordo com Ramozzi-Chiarottino (1988) funcionam "classificando, ordenando, estabelecendo implicações e permitindo a inserção dos objetos no espaço e no tempo, o que permitirá a construção da causalidade" (p.18).
PRINCÍPIO DE GÊNESE: Por fim temos o princípio genético, que na obra de Piaget está associado ao conceito de gênese (e não da biologia genética). Isto significa que "estando-se em presença de uma estrutura como ponto de partida, e de uma estrutura mais complexa como ponto de chegada, entre as duas se situa, necessariamente, um processo de construção, que é a gênese"(Piaget,1964/89,p.139). Este processo, que é temporal, será central em nossa discussão posterior sobre o déficit cognitivo.
Em suma, entende-se que, para Piaget, o desenvolvimento cognitivo se dá a partir da interação entre sujeito e meio. Esta interação leva à construção de estruturas mentais, que por sua vez seguem um processo temporal psicogenético.
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